Capítulo III – Em que comemos e mamãe fica feliz
Jack pouco falou além de seu nome, nós lhe contamos a nossa história até ali e pedimos-lhe ajuda. Ele nos disse que ficaria conosco aquela noite, e pela manhã partiríamos para fora da floresta. Eu o observei durante à noite, ele dormia segurando a sua arma. Na manhã seguinte, partimos seguindo-o. Durante à tarde, ele saiu em busca de comida, quando lhe oferecemos ajuda, ele recusou. Meus pais temeram que ele fosse nos abandonar. Mas não o fez. Em apenas duas horas, voltou com um saco com quatro esquilos empalados. O que era incrível, nós nunca encontramos esquilos, a única carne de verdade que conseguimos no nosso tempo tentando sobreviver foram os dois ursos que papai matou. Quando lhe perguntei como encontrara esquilos mesmo naquela floresta coberta de neve, ele só me respondeu: “Nem todo o esquilo pode voar para alcançar a noz.”. Comemos os esquilos e continuamos na viagem.
No caminho Jack não gostava de conversar, parecia precisar estar sempre atento aos seus arredores. Só quando parávamos para descansar é que aceitava uma conversa, apesar de curta. Meu pai lhe falando nada conseguiu. Porém, isso mudou quando uma hora lhe perguntei se conhecia o destemido David Cohen, ele me respondeu com surpresa: “O caçula dos irmãos Cohen?”. Não entendi e lhe perguntei: “Como assim, só há um Cohen, nunca ouvi de um irmão. Ele cavalga sozinho pelo oeste selvagem.” Ele simplesmente riu e disse: “Aquele pequeno bastardo conseguiu, não? Garoto, você está me dizendo que você não conhece o Sexteto Cohen? Nunca ouviu falar de Zohar e Oz?”. “Não.”, respondi. E ele continuou: “Aquele pequeno bastardo em nada se compara aos seus irmãos. Eu não tenho notícias deles há décadas, mas não posso acreditar que aquele garoto possa ter se sobrepujado sobre Zohar e Oz, até os outros três podiam manejar uma arma melhor que ele.”. Vendo meu herói ser tão inferiorizado, logo contestei: “Não. David Cohen é um grande cowboy, o melhor! Uma vez ele sozinho salvou uma cidade inteira do ataque dos japoneses.”. E ele continuou: “Garoto, aquele pequeno bastardo não era nada quando eu o conheci. Devia ter o dobro de sua idade. Ainda me lembro quando Zohar se defrontou contra Shapiro, o miserável. Com uma bala, ele estava no chão. Aqueles eram os bons tempos, hoje em dia, vocês jovens gastam pelo menos umas quatro balas para matar alguém, um desperdício.”.
Em dois dias nos encontramos finalmente fora da floresta, em um campo ensolarado. Jack disse que seguiria seu caminho a parti dali. Meus pais perguntaram-lhe se sabia o caminho para a cidade mais próxima. Ele disse: “Sim, atravessando a floresta para a direção oposta a que viemos, em duas semanas vocês estão fora, em uma, encontram a cidade mais próxima.”. Nós não tínhamos a mínima intenção de voltar àquela floresta. Mesmo assim queríamos voltar para a civilização, ao que Jack respondeu: “Pela floresta é o único caminho que conheço para chegar a sua civilização. Deste lado, vocês vão encontrar montanhas, que vocês não vão poder atravessar, outras florestas, algumas mais traiçoeiras que a que acabamos de atravessar, que eu não tenho a mínima idéia para onde vão, e por fim, um deserto, em que vocês nunca teriam a capacidade de sobreviver. Meu conselho é que fiquem aqui, há comida ao redor, poucos predadores, muitas presas, e o clima é constante.”. Nós não queríamos ficar ali, queríamos rumar para o ouro da Califórnia. Meu pai não podia aceitar o que ele estava dizendo: “E você para onde vai? Se vai para alguma cidade, você tem de nos ajudar.”. Em resposta, ele disse: “Eu posso eventualmente acabar em uma cidade, mas eu não acredito que vocês sobreviveriam ao caminho, meu destino é o deserto. Se vocês quiserem viver, o melhor é ficar aqui, eu não tomarei responsabilidade.”. Meu pai respondeu: “Não pode ser tão ruim quando ao que passamos, nós tomamos o risco!”. Ao que Jack só respondeu: “Então, só saibam, para me seguir, vocês tem de me obedecer.”; o que concordamos.
Alguns dias atravessando o campo, mais alguns atravessando uma nova floresta, nos deparamos finalmente com o deserto. Areia e mais areia, pedras e mais pedras, nenhuma árvore a vista. Jack nos ensinava como encontrar lagartos para comer. Nesses dias, ele também se abriu mais conosco. Apesar das condições em que nos encontramos, comendo lagartos, bebendo água de cactos, morrendo de calor durante o dia, e de frio à noite, dormindo sobre pedras, nós estávamos bem. Jack nos dava um sentido que estávamos chegando a algum lugar, mesmo com nada o aparentando. Até mamãe, que há pouco tempo estava ainda abalada pela morte de Patrícia, já demonstrava ares de calma, especialmente perto de Jack. Sua bravura de cowboy, devia a estar afetando do mesmo jeito que a mim, que mesmo depois da traição de Lola e Hanz, já voltava a imaginar minhas aventuras. Jack era um verdadeiro cowboy, apesar de não tê-lo visto fazer nenhuma das destemidas bravuras de David Cohen, isso não poderia ser negado.
Um dia vimos à distância um objeto muito estranho, algum tipo de construção gigantesca de madeira. Ao chegarmos perto, papai disse que era um navio e que parecia ter sido partido ao meio por uma grande pedra. Jack, nada nos disse, e foi o primeiro a entrar nele. Seguimos-o entrando pela abertura do meio. Era como um grande depósito, cheio de coisas, num canto havia um esqueleto deitado. Jack havia sumido por um corredor. Papai e eu seguíamos olhando pelas caixas que se espalhavam ao nosso redor. Algumas se desfaziam ao toque. Num momento escutei um estranho som atrás de mim, algo quebrando, me virei e acompanhei-o até um canto. De repente o chão partiu sob mim e caí. Cordas me rodeavam, tentei me segurar nelas, mas de pouco adiantaram, não parecia estar mais no navio e escuridão me rodeava. Encontrei-me enfim num amontoado de areia e madeira, as cordas impediram que se fizesse um grande impacto. Ao me levantar, olhei para cima, papai já estava na borda do buraco, gritando por Jack. Ao meu redor pouco se via, porém escutava guinchos de animais e algo batendo. Logo, Jack apareceu e gritou que buscaria uma corda. Meus olhos começavam a se acostumar com a escuridão e de repente vi um grande lagarto à distância, não me assustei por logo notar ser um entalhe numa grande parede. Porém, os sons ao meu redor começaram a aumentar e de repente, um grande morcego apareceu e me acertou na cara, desmaiei.
Estava sentado na calçada da rua de casa, Maria-Susanna estava ao meu lado, tomávamos sorvete. Conversávamos, mas nada fazia sentido e parecia não realmente escutá-la. Uma coruja engraxava meus sapatos. Num momento uma grande carroça passou pela nossa frente, e quando foi-se, vi do outro lado da rua, sentada em oposição a mim, Ruiva. Ela me olhava. Queria ir até ela, mas por alguma razão acreditava que não deveria deixar Maria-Susanna e a coruja me olhava em desaprovação. Gritei para mim mesmo que não, não aceitaria aquilo, e decidi ir até ela, levantei-me, mas quando estava atravessando a rua, tudo se desfez. Abri meus olhos e vi mamãe ao meu lado. Estava de volta no deserto. O navio não estava mais lá.
Continuamos nosso caminho. Num dia algo aconteceu que mudaria tudo, papai e eu estávamos longe procurando lagartos entre algumas pedras, mamãe cortava um cactos para água, enquanto Jack se encontrava sentado numa pedra observando um estranho pedaço de madeira, que parecia ter trazido do navio. Mamãe parecia tentar conversar com ele, quando a cortar parte do cactos a água dele esguichou sobre a sua blusa. Ela mostrou para Jack e riu. Ele lhe deu um sorriso. Depois levantou, olhou primeiro para nossa direção, talvez procurando papai que estava agachado enfiando a mão entre as pedras, sem o ver, continuou a conversar com mamãe. Pareciam estar se divertindo, deviam estar contando piadas. Papai após finalmente pegar o lagarto que estava atrás, ao vir me mostrar ele, notou os dois e começou a observá-los. Num momento, quando mamãe começou a tocar o colete de Jack, ele ficou com raiva e foi até eles. Disse para eu ficar ali e continuar a caça. Chegando lá, papai se colocou entre eles, e começaram a discutir. Jack sorria para ele, apesar de sério, enquanto mamãe o olhava com raiva. Num momento, depois de muita discussão, Jack simplesmente pegou as suas coisas e foi embora em seu cavalo. Neste momento, decidi voltar e perguntei o que estava acontecendo, papai só me respondeu que a partir de agora seguiríamos sozinhos no deserto, disse que não devia me preocupar, já sabíamos o suficiente. Porém, em uma semana, morrendo de fome, nos encontraríamos mais perdidos do que nunca.
Continua!!!
No caminho Jack não gostava de conversar, parecia precisar estar sempre atento aos seus arredores. Só quando parávamos para descansar é que aceitava uma conversa, apesar de curta. Meu pai lhe falando nada conseguiu. Porém, isso mudou quando uma hora lhe perguntei se conhecia o destemido David Cohen, ele me respondeu com surpresa: “O caçula dos irmãos Cohen?”. Não entendi e lhe perguntei: “Como assim, só há um Cohen, nunca ouvi de um irmão. Ele cavalga sozinho pelo oeste selvagem.” Ele simplesmente riu e disse: “Aquele pequeno bastardo conseguiu, não? Garoto, você está me dizendo que você não conhece o Sexteto Cohen? Nunca ouviu falar de Zohar e Oz?”. “Não.”, respondi. E ele continuou: “Aquele pequeno bastardo em nada se compara aos seus irmãos. Eu não tenho notícias deles há décadas, mas não posso acreditar que aquele garoto possa ter se sobrepujado sobre Zohar e Oz, até os outros três podiam manejar uma arma melhor que ele.”. Vendo meu herói ser tão inferiorizado, logo contestei: “Não. David Cohen é um grande cowboy, o melhor! Uma vez ele sozinho salvou uma cidade inteira do ataque dos japoneses.”. E ele continuou: “Garoto, aquele pequeno bastardo não era nada quando eu o conheci. Devia ter o dobro de sua idade. Ainda me lembro quando Zohar se defrontou contra Shapiro, o miserável. Com uma bala, ele estava no chão. Aqueles eram os bons tempos, hoje em dia, vocês jovens gastam pelo menos umas quatro balas para matar alguém, um desperdício.”.
Em dois dias nos encontramos finalmente fora da floresta, em um campo ensolarado. Jack disse que seguiria seu caminho a parti dali. Meus pais perguntaram-lhe se sabia o caminho para a cidade mais próxima. Ele disse: “Sim, atravessando a floresta para a direção oposta a que viemos, em duas semanas vocês estão fora, em uma, encontram a cidade mais próxima.”. Nós não tínhamos a mínima intenção de voltar àquela floresta. Mesmo assim queríamos voltar para a civilização, ao que Jack respondeu: “Pela floresta é o único caminho que conheço para chegar a sua civilização. Deste lado, vocês vão encontrar montanhas, que vocês não vão poder atravessar, outras florestas, algumas mais traiçoeiras que a que acabamos de atravessar, que eu não tenho a mínima idéia para onde vão, e por fim, um deserto, em que vocês nunca teriam a capacidade de sobreviver. Meu conselho é que fiquem aqui, há comida ao redor, poucos predadores, muitas presas, e o clima é constante.”. Nós não queríamos ficar ali, queríamos rumar para o ouro da Califórnia. Meu pai não podia aceitar o que ele estava dizendo: “E você para onde vai? Se vai para alguma cidade, você tem de nos ajudar.”. Em resposta, ele disse: “Eu posso eventualmente acabar em uma cidade, mas eu não acredito que vocês sobreviveriam ao caminho, meu destino é o deserto. Se vocês quiserem viver, o melhor é ficar aqui, eu não tomarei responsabilidade.”. Meu pai respondeu: “Não pode ser tão ruim quando ao que passamos, nós tomamos o risco!”. Ao que Jack só respondeu: “Então, só saibam, para me seguir, vocês tem de me obedecer.”; o que concordamos.
Alguns dias atravessando o campo, mais alguns atravessando uma nova floresta, nos deparamos finalmente com o deserto. Areia e mais areia, pedras e mais pedras, nenhuma árvore a vista. Jack nos ensinava como encontrar lagartos para comer. Nesses dias, ele também se abriu mais conosco. Apesar das condições em que nos encontramos, comendo lagartos, bebendo água de cactos, morrendo de calor durante o dia, e de frio à noite, dormindo sobre pedras, nós estávamos bem. Jack nos dava um sentido que estávamos chegando a algum lugar, mesmo com nada o aparentando. Até mamãe, que há pouco tempo estava ainda abalada pela morte de Patrícia, já demonstrava ares de calma, especialmente perto de Jack. Sua bravura de cowboy, devia a estar afetando do mesmo jeito que a mim, que mesmo depois da traição de Lola e Hanz, já voltava a imaginar minhas aventuras. Jack era um verdadeiro cowboy, apesar de não tê-lo visto fazer nenhuma das destemidas bravuras de David Cohen, isso não poderia ser negado.
Um dia vimos à distância um objeto muito estranho, algum tipo de construção gigantesca de madeira. Ao chegarmos perto, papai disse que era um navio e que parecia ter sido partido ao meio por uma grande pedra. Jack, nada nos disse, e foi o primeiro a entrar nele. Seguimos-o entrando pela abertura do meio. Era como um grande depósito, cheio de coisas, num canto havia um esqueleto deitado. Jack havia sumido por um corredor. Papai e eu seguíamos olhando pelas caixas que se espalhavam ao nosso redor. Algumas se desfaziam ao toque. Num momento escutei um estranho som atrás de mim, algo quebrando, me virei e acompanhei-o até um canto. De repente o chão partiu sob mim e caí. Cordas me rodeavam, tentei me segurar nelas, mas de pouco adiantaram, não parecia estar mais no navio e escuridão me rodeava. Encontrei-me enfim num amontoado de areia e madeira, as cordas impediram que se fizesse um grande impacto. Ao me levantar, olhei para cima, papai já estava na borda do buraco, gritando por Jack. Ao meu redor pouco se via, porém escutava guinchos de animais e algo batendo. Logo, Jack apareceu e gritou que buscaria uma corda. Meus olhos começavam a se acostumar com a escuridão e de repente vi um grande lagarto à distância, não me assustei por logo notar ser um entalhe numa grande parede. Porém, os sons ao meu redor começaram a aumentar e de repente, um grande morcego apareceu e me acertou na cara, desmaiei.
Estava sentado na calçada da rua de casa, Maria-Susanna estava ao meu lado, tomávamos sorvete. Conversávamos, mas nada fazia sentido e parecia não realmente escutá-la. Uma coruja engraxava meus sapatos. Num momento uma grande carroça passou pela nossa frente, e quando foi-se, vi do outro lado da rua, sentada em oposição a mim, Ruiva. Ela me olhava. Queria ir até ela, mas por alguma razão acreditava que não deveria deixar Maria-Susanna e a coruja me olhava em desaprovação. Gritei para mim mesmo que não, não aceitaria aquilo, e decidi ir até ela, levantei-me, mas quando estava atravessando a rua, tudo se desfez. Abri meus olhos e vi mamãe ao meu lado. Estava de volta no deserto. O navio não estava mais lá.
Continuamos nosso caminho. Num dia algo aconteceu que mudaria tudo, papai e eu estávamos longe procurando lagartos entre algumas pedras, mamãe cortava um cactos para água, enquanto Jack se encontrava sentado numa pedra observando um estranho pedaço de madeira, que parecia ter trazido do navio. Mamãe parecia tentar conversar com ele, quando a cortar parte do cactos a água dele esguichou sobre a sua blusa. Ela mostrou para Jack e riu. Ele lhe deu um sorriso. Depois levantou, olhou primeiro para nossa direção, talvez procurando papai que estava agachado enfiando a mão entre as pedras, sem o ver, continuou a conversar com mamãe. Pareciam estar se divertindo, deviam estar contando piadas. Papai após finalmente pegar o lagarto que estava atrás, ao vir me mostrar ele, notou os dois e começou a observá-los. Num momento, quando mamãe começou a tocar o colete de Jack, ele ficou com raiva e foi até eles. Disse para eu ficar ali e continuar a caça. Chegando lá, papai se colocou entre eles, e começaram a discutir. Jack sorria para ele, apesar de sério, enquanto mamãe o olhava com raiva. Num momento, depois de muita discussão, Jack simplesmente pegou as suas coisas e foi embora em seu cavalo. Neste momento, decidi voltar e perguntei o que estava acontecendo, papai só me respondeu que a partir de agora seguiríamos sozinhos no deserto, disse que não devia me preocupar, já sabíamos o suficiente. Porém, em uma semana, morrendo de fome, nos encontraríamos mais perdidos do que nunca.
Continua!!!
4 comentários não é o suficiente!:
putz...sempre leio o título "Em que comemos a mamãe"
talvez fosse mais oportuno do q comer os cavalos
fiquei com peninha q ninguém comentou, vc não se dedicou o bastante à propaganda desta vez
Esta saga da família perdida é boa coisa.
vou ler desde o começo e depois comento.
Sinto falta da descrição mais precisa dos personagens, dos cenários, dos objetos, dos bichos.
Walmir
http://walmir.carvalho.zip.net
Pois li os 3 capítulos do Jack. É O Menino no País das Desmaravilhas.
Alguns episódios passam rapidamente, outros têm descrição mais adensada.
Continuo achando que os personagens deveriam ter desenvolvimento mais minucioso.
Walmir
http://walmir.carvalho.zip.net
Pois li os 3 capítulos do Jack. É O Menino no País das Desmaravilhas.
Alguns episódios passam rapidamente, outros têm descrição mais adensada.
Continuo achando que os personagens deveriam ter desenvolvimento mais minucioso.
Walmir
http://walmir.carvalho.zip.net
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