Capítulo IV – Em que conhecemos um homem chamado Jack
O deserto queimava, mal conseguíamos encontrar comida para sobrevivermos, e o único que nos mantinha em pé, era a escassa água encontrada nos cactos. Jack fora-se, papai constantemente prometia saber o que estava fazendo, mas isso pouco se materializava, e mamãe quando não gritava com ele, o ignorava por completo. Eu, por minha vez, estava convencido de que estávamos sendo acompanhados. Algumas vezes à distância eu podia ver caravanas, mas quando as mencionava, todos me ignoravam, e elas logo desapareciam. Outras vezes, tinha quase certeza de ver Ruiva brincando de esconde comigo, atrás de um cactos, atrás de uma pedra, mas ela sempre vencia e nunca aparecia. Nas frias noites quem voltava a me assombrar, era aquela coruja engraxate. Eu lhe alimentava com pedaços de cauda de lagarto, o pouco que mantinha de nossas raras refeições. Algumas vezes pela manhã, quando a areia não era muita, via que ela as jogava fora, mesmo depois de tê-las engolido na minha frente. Continuamos mais uns dias assim, nem mais nos falávamos, só nos movíamos, agarrávamos com todas as nossas forças a comida que encontrávamos, que se compunha de insetos cada vez mais, e nos arrastávamos para o que parecia o caminho que Jack havia seguido. A pele em minha face de tão queimada e seca, nem mais se fazia sentida. Os panos sujos que cobriam meu corpo, se faziam de pedras de tão cansado que me encontrava. Papai chorava algumas vezes andando, podíamos escutar seus gemidos, mamãe voltara a conversar com Patrícia e sempre lhe estava a lhe falar algo em sussurros, e eu me encontrava sozinho, Ruiva não mais se encontrava em minha cabeça a falar, agora ela só era uma imagem que me incitava à distância, sem dar nenhuma esperança de lhe tocar. A morte parecia se aproximar, e num dia veio, como uma imagem escura a cavalgar pelo deserto. Todos nós a vimos, mamãe e eu a olhamos e esperamos chegar ao nosso encontro, papai se jogou no chão e começou a tremer. Porém, não foi a morte que se fez à nossa frente, mas Jack, que voltara ao nosso socorro.
Jack deu-nos água e comida. Papai tentou abraçá-lo em agradecimento, ele o empurrou para longe. Daqui por diante, qualquer que tenha sido a razão porque tenha partido, o que ninguém se importou de me explicar, estava acabada, Jack nos guiaria para a salvação. E logo, voltamos ao normal, como antes de sua partida, nossas energias foram recompostas. Apesar de acreditar que o tempo de fome tenha realmente afetado papai, pois ele continuava a chorar quase toda à noite, enquanto mamãe e Jack se divertiam atrás de uma pedra. Ela realmente tinha se recobrado por completo de nosso tempo de miséria, apesar de ainda ignorar papai.
Finalmente, depois de mais um mês de caminhada, encontramo-nos saindo do deserto. A quantidade de árvores aumentava ao nosso redor, a vegetação tomava o chão. De acordo com Jack, seguíamos para uma grande pedreira que víamos se formar à distância no horizonte. Ali comemos como ricos, um dia foi um delicioso javali. Numa de nossas refeições, perguntei Jack sobre o navio, e ele me contou que já o esperava encontrar: “Foi Oz Cohen que me contou deste eterno deserto. Bons tempos, lembro ainda hoje o que levou a isso. Nós tínhamos sido contratados para matar um fora-da-lei conhecido pelo nome de Sir Yamamoto. Um irlandês que vivera com os japoneses e tinha uma compulsão por sangue. Ele havia assaltado uma caravana e levado um rapaz de uma importante família da região. Nós estávamos trabalhando para pessoas diferentes. Eu para o pai do rapaz, e Oz para sua noiva. Parecia que pai e noiva não estavam em termos de amizade. Como já nos conhecíamos, decidimos trabalhar juntos. Foi uma caçada difícil, mas conhecendo a fama de Yamamoto, sabíamos que encontraríamos o rapaz vivo. Tudo acabou numa troca de balas em um seleiro abandonado. Yamamoto que sabia só ter vantagem num ambiente fechado de mata, fugiu deixando o rapaz para trás, não seria a última vez que nos causaria problemas. Nós encontramos o rapaz como já esperávamos, nu preso com uma coleira a uma pilastra, Yamamoto o mantivera como um escravo, e além de ter tatuado todo o seu corpo com desenhos estranhos, tinha lhe arrancado todos os dentes. Seu estado decadente nos dizia para matá-lo, mas a recompensa falava mais alto. Devolvemos o, então, à sua família, junto com a cabeça de um irlandês bêbedo que encontramos num bar para substituir Yamamoto. Engraçado o suficiente nessa história é que quando fui apresentado por Oz à noiva do rapaz, mal sabia eu que estava sendo apresentado a minha futura segunda ex-mulher, Isabela Pontocorvo. Aquela noite comemoramos o dinheiro e foi aí que bêbado, Oz contou-me seu segredo. – Jack, meu amigo, você sabe o quanto eu odeio os japoneses, não? Meus sobrinhos sendo a exceção. O pequeno Yasuhiro algum dia carregará toda a excelência do nome Cohen em sua pistola. Mas então, um dia eu encontrei este japonês maluco em uma floresta, só ficava me chamando de Baka, provavelmente algum elogio que ele sentia a necessidade de repetir sem parar. Ele me ofereceu mostrar um lugar onde poderia encontrar grande fortuna, se em troca eu lhe comprasse alguns equipamentos para mineração, além de alguns rifles, como prova me mostrou um antigo punhal e um pequena caixa feitas inteiramente de ouro. Aceitei, e com algumas pedras de ouro que me deu, fiz as comprar. Vi que se podia confiar em minha mão tal cotia, era porque sabia realmente onde encontrar muito mais. Ao perguntar por que estava tão pronto a dar seu ouro, mesmo comprando equipamentos de mineração, disse-me que estava mais interessado em óleo. Mas então, depois disso, fizemos uma viagem de cerca de dois meses, numa terra muito estranha, nunca explorada, e lá encontramos, e você não vai acreditar, um navio, foi aí que -.” Neste momento meu pai apareceu e me levou dali, disse que não gostava que eu falasse com Jack, que eu deixasse mamãe se meter com esse tipo de gente, já que era a laia dela.
Logo, estávamos atravessando a pedreira que Jack apontará. Ao sairmos do outro lado, o que se revelou foi uma grande e densa floresta. Jack parecia surpreso por ela. Seguimos em frente devagar, quando do nada, o chão começou a tremer, árvores começaram a cair, e de longe um gigantesco réptil apareceu. Andando sobre duas pernas, com braços minúsculos, e uma mandíbula gigantesca. Ele correu para a nossa direção, Jack imediatamente pegou um rifle, começou a atirar nele. Se afastando de nós, sobre seu cavalo, Jack parecia querer puxar o réptil para à sua direção. Porém, ao mesmo tempo, papai havia tomado coragem, e falava que salvaria a nossa família, acusando Jack de nos abandonar. Nos empurrando para trás suas costas, começou a tacar pedras no réptil. Gritava que iria deixá-lo cego, gritava que mamãe reconheceria quem era o verdadeiro homem ali. Jack por sua vez, do outro lado, gritava para que parasse, enquanto continuava a atirar no réptil. Com a ação de papai, o animal se virou para nós correndo. Mamãe e eu corremos para longe, papai continuou jogando as pedras. Jack, se aproximava, tentando chamar a atenção do réptil para o seu lado. Tudo aconteceu muito rápido. Sei que vi o grande réptil chegando até papai, e ele desaparecendo dentro de sua grande mandíbula. Sei que depois o monstro veio em nossa direção, e quase nos alcançaria se não fosse Jack, vindo ao seu lado sobre o seu cavalo e lhe dando um tiro no olho. Depois só lembro do animal virando para Jack, e de sua cauda vindo em minha direção.
Escuridão, dor, confusão. Estava deitado na areia do deserto, olhava para o alto, para o sol escaldante, sabia que a morte estava por perto, quando de repente, alguém sentou-se sobre mim, sobre a minha cintura, e ela apareceu. Ruiva, com seus olhos verdes, e seu cabelo vermelho caindo ao redor de sua face. Ela me olhou e sorriu, depois com uma voz de homem disse: “Ainda há muito a vir pela frente, jovem Baka!”. Acordei, estava sozinho, deitado sobre uma colcha no meio daquela floresta, a fumaça de uma fogueira tomava o ar. Olhei ao redor, um grande pedaço de carne era aquecido na fogueira. Num canto, notei a pele arrancada do grande réptil. E ao levantar, também notei do lado de uma árvore, duas covas. Um som veio por detrás de mim, e ao virar vi Jack. Ele me disse: “Garoto, sinto dizer, mas o seu pai era um imbecil, e além de se matar, causou também a morte de sua mãe. Sinto muito.”. E, assim, foi, pois a partir de então acompanharia Jack. Mal podia saber, que com tudo que já tinha passado, pouco se compararia ao que havia por vir. Só naquele vale, onde agora nos encontrávamos, ainda nos depararíamos com muitos mistérios e monstros ainda maiores que aquele réptil que levara minha família. O tempo passaria, e eu me tornaria o cowboy que sempre desejei ser, com um chapéu e um cavalo. Veria Ruiva mais uma vez, e também Ozu, o velho japonês maluco, me decepcionaria com David Cohen, conheceria Mayuki, e um dia, nem mais seria conhecido como Thomas. Um dia, teria outro nome. Um dia, seria um homem chamado Jack.
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Jack deu-nos água e comida. Papai tentou abraçá-lo em agradecimento, ele o empurrou para longe. Daqui por diante, qualquer que tenha sido a razão porque tenha partido, o que ninguém se importou de me explicar, estava acabada, Jack nos guiaria para a salvação. E logo, voltamos ao normal, como antes de sua partida, nossas energias foram recompostas. Apesar de acreditar que o tempo de fome tenha realmente afetado papai, pois ele continuava a chorar quase toda à noite, enquanto mamãe e Jack se divertiam atrás de uma pedra. Ela realmente tinha se recobrado por completo de nosso tempo de miséria, apesar de ainda ignorar papai.
Finalmente, depois de mais um mês de caminhada, encontramo-nos saindo do deserto. A quantidade de árvores aumentava ao nosso redor, a vegetação tomava o chão. De acordo com Jack, seguíamos para uma grande pedreira que víamos se formar à distância no horizonte. Ali comemos como ricos, um dia foi um delicioso javali. Numa de nossas refeições, perguntei Jack sobre o navio, e ele me contou que já o esperava encontrar: “Foi Oz Cohen que me contou deste eterno deserto. Bons tempos, lembro ainda hoje o que levou a isso. Nós tínhamos sido contratados para matar um fora-da-lei conhecido pelo nome de Sir Yamamoto. Um irlandês que vivera com os japoneses e tinha uma compulsão por sangue. Ele havia assaltado uma caravana e levado um rapaz de uma importante família da região. Nós estávamos trabalhando para pessoas diferentes. Eu para o pai do rapaz, e Oz para sua noiva. Parecia que pai e noiva não estavam em termos de amizade. Como já nos conhecíamos, decidimos trabalhar juntos. Foi uma caçada difícil, mas conhecendo a fama de Yamamoto, sabíamos que encontraríamos o rapaz vivo. Tudo acabou numa troca de balas em um seleiro abandonado. Yamamoto que sabia só ter vantagem num ambiente fechado de mata, fugiu deixando o rapaz para trás, não seria a última vez que nos causaria problemas. Nós encontramos o rapaz como já esperávamos, nu preso com uma coleira a uma pilastra, Yamamoto o mantivera como um escravo, e além de ter tatuado todo o seu corpo com desenhos estranhos, tinha lhe arrancado todos os dentes. Seu estado decadente nos dizia para matá-lo, mas a recompensa falava mais alto. Devolvemos o, então, à sua família, junto com a cabeça de um irlandês bêbedo que encontramos num bar para substituir Yamamoto. Engraçado o suficiente nessa história é que quando fui apresentado por Oz à noiva do rapaz, mal sabia eu que estava sendo apresentado a minha futura segunda ex-mulher, Isabela Pontocorvo. Aquela noite comemoramos o dinheiro e foi aí que bêbado, Oz contou-me seu segredo. – Jack, meu amigo, você sabe o quanto eu odeio os japoneses, não? Meus sobrinhos sendo a exceção. O pequeno Yasuhiro algum dia carregará toda a excelência do nome Cohen em sua pistola. Mas então, um dia eu encontrei este japonês maluco em uma floresta, só ficava me chamando de Baka, provavelmente algum elogio que ele sentia a necessidade de repetir sem parar. Ele me ofereceu mostrar um lugar onde poderia encontrar grande fortuna, se em troca eu lhe comprasse alguns equipamentos para mineração, além de alguns rifles, como prova me mostrou um antigo punhal e um pequena caixa feitas inteiramente de ouro. Aceitei, e com algumas pedras de ouro que me deu, fiz as comprar. Vi que se podia confiar em minha mão tal cotia, era porque sabia realmente onde encontrar muito mais. Ao perguntar por que estava tão pronto a dar seu ouro, mesmo comprando equipamentos de mineração, disse-me que estava mais interessado em óleo. Mas então, depois disso, fizemos uma viagem de cerca de dois meses, numa terra muito estranha, nunca explorada, e lá encontramos, e você não vai acreditar, um navio, foi aí que -.” Neste momento meu pai apareceu e me levou dali, disse que não gostava que eu falasse com Jack, que eu deixasse mamãe se meter com esse tipo de gente, já que era a laia dela.
Logo, estávamos atravessando a pedreira que Jack apontará. Ao sairmos do outro lado, o que se revelou foi uma grande e densa floresta. Jack parecia surpreso por ela. Seguimos em frente devagar, quando do nada, o chão começou a tremer, árvores começaram a cair, e de longe um gigantesco réptil apareceu. Andando sobre duas pernas, com braços minúsculos, e uma mandíbula gigantesca. Ele correu para a nossa direção, Jack imediatamente pegou um rifle, começou a atirar nele. Se afastando de nós, sobre seu cavalo, Jack parecia querer puxar o réptil para à sua direção. Porém, ao mesmo tempo, papai havia tomado coragem, e falava que salvaria a nossa família, acusando Jack de nos abandonar. Nos empurrando para trás suas costas, começou a tacar pedras no réptil. Gritava que iria deixá-lo cego, gritava que mamãe reconheceria quem era o verdadeiro homem ali. Jack por sua vez, do outro lado, gritava para que parasse, enquanto continuava a atirar no réptil. Com a ação de papai, o animal se virou para nós correndo. Mamãe e eu corremos para longe, papai continuou jogando as pedras. Jack, se aproximava, tentando chamar a atenção do réptil para o seu lado. Tudo aconteceu muito rápido. Sei que vi o grande réptil chegando até papai, e ele desaparecendo dentro de sua grande mandíbula. Sei que depois o monstro veio em nossa direção, e quase nos alcançaria se não fosse Jack, vindo ao seu lado sobre o seu cavalo e lhe dando um tiro no olho. Depois só lembro do animal virando para Jack, e de sua cauda vindo em minha direção.
Escuridão, dor, confusão. Estava deitado na areia do deserto, olhava para o alto, para o sol escaldante, sabia que a morte estava por perto, quando de repente, alguém sentou-se sobre mim, sobre a minha cintura, e ela apareceu. Ruiva, com seus olhos verdes, e seu cabelo vermelho caindo ao redor de sua face. Ela me olhou e sorriu, depois com uma voz de homem disse: “Ainda há muito a vir pela frente, jovem Baka!”. Acordei, estava sozinho, deitado sobre uma colcha no meio daquela floresta, a fumaça de uma fogueira tomava o ar. Olhei ao redor, um grande pedaço de carne era aquecido na fogueira. Num canto, notei a pele arrancada do grande réptil. E ao levantar, também notei do lado de uma árvore, duas covas. Um som veio por detrás de mim, e ao virar vi Jack. Ele me disse: “Garoto, sinto dizer, mas o seu pai era um imbecil, e além de se matar, causou também a morte de sua mãe. Sinto muito.”. E, assim, foi, pois a partir de então acompanharia Jack. Mal podia saber, que com tudo que já tinha passado, pouco se compararia ao que havia por vir. Só naquele vale, onde agora nos encontrávamos, ainda nos depararíamos com muitos mistérios e monstros ainda maiores que aquele réptil que levara minha família. O tempo passaria, e eu me tornaria o cowboy que sempre desejei ser, com um chapéu e um cavalo. Veria Ruiva mais uma vez, e também Ozu, o velho japonês maluco, me decepcionaria com David Cohen, conheceria Mayuki, e um dia, nem mais seria conhecido como Thomas. Um dia, teria outro nome. Um dia, seria um homem chamado Jack.
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2 comentários não é o suficiente!:
Surreal.
Muito bom, intenso até o fim.
Abraço.
pois aih estah, mano blogueiro-escritor um belo folhetim. Passagens vertigionosas, insolitas mudancas, a historia correndo atras das palavras. Gosto desse modo nublado de revelar este mundo atraves de metaforas. Sigo com gosto.
Soh precisa de uns cuidados gramaticais mais apurados.
Voceh tem mesmo mao de escritor, mano blogueiro.
Meu computador nao acentua palavras. Eh maquina que ganhei de presente de ruiva americana e que ainda nao se adaptou ao nosso costume de graves, agudos, cedilhas.
paz e bom humor, sempre
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